sexta-feira, março 16, 2007

LÁGRIMA DE PRETA






Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume
de todas as vezes
deu-me o que é costume.

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão
(1906-1997)

6 comentários:

Tongzhi disse...

Um poema lindo e cantado ainda fica melhor!
Bom fim de semana!

Bernardo Moura disse...

Caro Tongzhi,
tens toda a razão!
Bom fim-de-semana!
Abraço

GMaciel disse...

Sempre adorei este poema. excelente escolha, Bernardo!
beijos

Bernardo Moura disse...

Beijos

sofiaformozem disse...

Este poema é tão lindo que me faz chorar... faz-me lembrar a minha ama Cecília que era a pessoa mais doce do mundo!

Bernardo Moura disse...

Espero que seja um choro de boas memorias!