terça-feira, junho 12, 2007

Estórias..-IV



Oube um dia em que tibe de ajudar a minha bó no campu. Ela taba a plantar batatas e taba a ficar cum dores nas coustas. Atom chamou-me. Lá fui eu. Taba bestido cum umas sapatilhas nique e umas calças lebis, a minha bó olhô pa mim e disse: - tas estúpido? Comes merda ou quenhe? Humm? Benhes cum essa roupa pó campu? Bai-te mudar, estúpido.
Depois de me tere mudado lá fuie. A minha bó deu-me uma cesta e uma satchola pás mons. Comecei a escabare e bati com a satchola numa pedra, arrebentei cum a satchola e lebei logo na boca. A meio da manhãe a minha bó amandou-me parare e eu pareie. Ela queria comer um pom com salpicom e beber um coche de binho e eu tumbém bubi. A partire daí senti-me mais forte e desatei a abrir rôtas cum um speed do caraças, parecia o supermene. A minha bó taba burra a olhar pa mim. A certa altura cai pó lado, já num pudia mais e tava deitado de boca encostada há terra e a babar-me, a minha bó deu-me um safanom com a perna e ajudou-me a alebantar-me. Almoçamos e ela num quis mais a minha ajuda, disse que eu era um panom e que num serbia para nada. Fui pó cafée.
Lá no cafée tomeie uma cuca e fui jogar maquinas. Apareceu a bófia e eu já taba meio choné da cabeça e disse: - olha-me estes. Parecem uns cocos cum aquela merda na cabeça, fui pá gaiola.
Lebei algumas galhetas. Mas num me fiquei. Insultei-os de caraças, pensas quê? A minha bó e o meu paie foram-me lá buscar e fiquei de castigo sem data determinada.
Bonhe, bem aí a carreira tenho de ire.
Já sabes qualquer coisa dizes quês meu primo.
Abraçom!

5 comentários:

Sarracenia purpurea disse...

Lol, está demais! Esta avó é um espectáculo,
beijo

lino disse...

Um espectáculo, como habitualmente.

Bernardo Moura disse...

Muito obrigado!
Abraços

pinguim disse...

Óptimo, está muito porreiro, mesmo!

Bernardo Moura disse...

Obrigado!