terça-feira, novembro 11, 2008




NO ALVO – OU QUASE

O malandro do Pintam





Antunes Ferreira
Leio no Correio da Manhã, assinado pelo jornalista Miguel Ganhão: «Dezenas de inspectores do Fisco, acompanhados por magistrados do Ministério Público realizaram várias buscas hoje em diversos escritórios de contabilidade. Foram identificados nove alvos preferenciais, onde foi descoberta facturação falsa utilizada por cerca de 50 empresas, maioritariamente do sector da construção civil. Algumas empresas utilizavam as facturas falsas em substituição de facturas próprias de forma a diminuir os lucros, e assim pagar menos IRC, enquanto outras simulavam trocas falsas de forma a reivindicar a devolução do IVA».

Este é o nosso País, este é o Portugal que somos. Generalizo? Pois que seja. Mas, se em alguma coisa nós, Portugueses, somos especialistas, é no desenrascanso. Muitíssimas vezes acompanhado pela vigarice. Como parece ser o caso. Nisso e no bota-abaixo somos campeões. Não digo mundiais, seria um manifesto exagero; escrevo, tão-só, campeões. Já basta. É suficiente.

E de quem é, sempre ou quase, a culpa desta nossa rasteirinha maneira de ser? Obviamente – do Governo. Aliás, de todos os Governos desta chafarica. Que, como é uso dizer-se, começou logo mal com um filho a bater na mãe. Estou já a ver os comentários: rebaldarias destas são, sobretudo, o resultado do desleixo e da inépcia socráticos. Tivesse o Executivo actuado como lhe competia e atempadamente, isto não acontecia. E por aí fora.

Nos meus tempos de puto (quer acreditem, quer não, já fui e lembro-me bem) se não me engano foi o meu tio e padrinho Armando que me ensinou este mimo. Quem é em Portugal o pior sujeito, o pior de todos? Claro que eu não sabia. Ainda não tinha nem sequer ideia de que a resposta podia ser – o Salazar. Era um crianço, ainda tinha os olhos fechados.

Ele esclareceu-me: «é o Pintam». «Quem»? «O Pintam» repetiu o bom do Armando Antunes, primeiro-sargento da Força Aérea e sportinguista assumido, de quem, feliz ou infelizmente, herdei tal qualidade. Não me senti satisfeito com a concisão e a sapiência de um dos irmãos de minha Mãe. «Ó tio, mas quem é esse tal Pintam»? Santa ingenuidade, tal como a fisga de ir aos pardais ou a crença no Pai Natal.

«Ouve lá, rapazinho, ouve bem e aprende, que eu não vou cá estar sempre». (Uma outra vez os pontos de interrogação, desta feita mudos. Que queria ele dizer com não estar cá sempre? Certidões de óbito não entravam nas minhas leitura, era mais o Júlio Verne e o Emílio Salgari). «Tu não sabes que em Portugal nunca há ninguém nem nada pior do que o pintam?»

10 comentários:

stériuéré disse...

E a culpa é sempre de quem não a tem! Gostei sr. Antunes, gostei!

Armindo Guimarães disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Armindo Guimarães disse...

Tá visto!

O Antunes é sempre como o pintam.

Exemplo disso é este texto que está com uma pinta do carago!

Abraços

Bernardo Moura disse...

Grande texto!

Excelente.

Grande abraço!

(é tudo em grande!) :)

;)

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Amigões

Kittos, dizem os Finlandeses, que querem eles dizer com isto, nagyon közsönöm, eactamente o mesmo em Húngaro. Ou seja, muchas gracias.

Quero é ver esta malta no meu
atravessadoferreira.blogspot.com

Aí está quentinho, o que, para esta frialdeza que passa, é bué da fixe.

E, sil us plau (sff em català vernáculo) tira o Senhor ó Stéruiéré. Gostei do nome, juro plosanguidikristu

Qjs/Abs

hantferreira@gmail.com

GMaciel disse...

Gostei... palavra que gostei e é mais do que óbvio que vou atravessar o deserto até ao Atravessado.

GMaciel disse...

Ora bolas, fui até lá e recebi a notícia que o atravessado ferreira não existe ainda.

Em resumo, caí que nem patinha!
:(
:)))

GMaciel disse...

Bom, não sou loura mas às vezes pareço! É claro que segui o "azul" e dei com a Travessa do Ferreira.

:)
Patinha mas não tanto!

:)))

miriamdomar disse...

Nós nem sempre conseguimos tirar a pinta daqueles que nos pintam!
Mas o Antunes Ferreira ,consegue!
Gostei da malandrice ,do Pintam!:)
Bjs

Anónimo disse...

Uma Freira velha pediu para escreverem na campa

Nasci virgem, Vivi virgem, Morri Virgem...

O cangalheiro achou que eram muitas palavras e escreveu:

'Devolvida sem ser comida '

touaqui42