terça-feira, agosto 22, 2006

História da formação do meu próprio emprego














No dia 13 de Maio de 2005 entreguei no Centro de Emprego a minha candidatura de C.P.E. (Criação do Próprio Emprego).
Como está previsto pela lei, tinha que obter uma resposta no prazo de 60 dias, ou seja a 13 de Julho de 2005.
Não me disseram nada e eu telefonei para lá para saber o ponto da situação. Foi-me dito que os processos estavam ligeiramente atrasados, que lá para o fim do mês me diziam alguma coisa.
Chegado o início do mês de Agosto e como não diziam nada, telefonei novamente para lá . Disseram-me que os serviços ainda estavam atrasados e como em Agosto havia pausa para férias que entrasse em contacto em meados de Setembro.
Fim de Setembro e sinais, nenhuns. Voltei a telefonar. Novamente me disseram que estava tudo muito atrasado, mas que lá para meados de Outubro me telefonariam.
Fim de Outubro. Sinais, nenhuns. Voltei a telefonar. Novamente me informaram que continuava tudo muito atrasado, mas que lá para meados de Novembro me telefonariam.
Bom, sem mais delongas e para resumir, isto repetiu-se em Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro.
No início do mês de Março, finalmente foram visitar as instalações.
Pensei: é desta! Qual quê!? A responsável por estes processos deixou de trabalhar entretanto no Centro de Emprego e claro está que se ficou a borrifar para todos os processos que deixou para trás.
No dia 16 de Março de 2006 dirigi-me lá .
Para meu espanto, mostraram-me umas 5 ou 6 folhas com nomes de candidatos a C.P.E. e o meu nem sequer ainda constava lá , ou seja, para eles, para os novos funcionários, o meu processo ainda nem tinha sido lido e colocado no sistema informático!?
Entretanto, também falaram num ponto que não vinha descrito nos formulários de candidatura: era necessário arranjar fiadores para fazer uma garantia bancária. Fiquei estúpido!
Passou quase um ano e estava tudo na estaca zero. Andei a pedir dinheiro emprestado aos meus familiares a pensar que era uma coisa relativamente rápida e agora estava como o tolo no meio da ponte, não sabia para que lado me virar.
O meu negócio está em crescendo, disso não me posso queixar. Mas necessito de um fundo de suporte para aguentar as despesas mensais, pois ainda não atingi o ponto em que o lucro cobre as despesas.
Bom, alguma solução há -de ter. Ainda não sei qual, mas há -de ter.
Ah! Ia-me esquecendo de dizer, ESTE PAIS ESTÁ UM NOJO!
Entretanto, uma psicóloga amiga da minha mãe, que trabalha no Centro de Emprego falou com a pessoa que está agora responsável por estes processos disse que dentro de um mês me diriam alguma coisa. Agora imaginem!! Esse senhor também foi de férias!
No dia 2 de Abril de 2006 pediram-me uma série de documentos para anexar ao processo. Um deles é da Segurança Social, que declara que eu não tenho nenhum valor em débito para com eles.
No dia 21 de Abril de 2006, telefonei para a Segurança Social para saber por que é que ainda não me tinham enviado o documento. Responderam-me que tinha passado para outra repartição e que se quisesse que fosse lá pessoalmente buscar. Foi o que fiz, só que quando lá cheguei já tinham enviado pelo correio.
No dia 8 de Maio de 2006 chegou o bendito documento, mas com brinde. O brinde era que eu devia à Segurança Social dinheiro e bastante. Fiquei pasmo, porque a minha contabilista tinha dado início da minha actividade em Maio de 2005, me tinha colocado como “isento” durante um ano e não tinha havido qualquer contestação por parte da Segurança Social. Mas como eu, entre Dezembro de 1996 e Fevereiro de 1997 estive a recibos verdes perdi a isenção desse ano. Se eu não tivesse pedido este documento, a Segurança Social ia deixar andar e andar sem me pedir um tostão até alguém calhar de ver a falha e me fazer pagar um balúrdio.
Tive de saldar o que devia à Segurança Social para dar o documento no Centro de Emprego e depois esperar um tempo indeterminado para receber o subsídio.
No dia 27 de Junho de 2006 telefonaram-me do Centro de Emprego. Foram ver a loja novamente, mas não consegui chegar a tempo de estar com as pessoas. Quem lá estava era o meu empregado e eles deram uma vista de olhos e foram embora. Telefonei para o responsável do projecto e ele disse-me que não havia qualquer problema de eu não ter estado presente. Entretanto ele perguntou-me se as obras da loja estavam completas, eu respondi que sim, e ele para minha surpresa disse que então o projecto não podia ser validado porque estava previsto na lei(?) que não poderia estar. Fiquei burro. Logo de seguida disse-lhe, e é verdade, que afinal não, que a obra não estava completa. Faltava uma chapa micro perfurada numa coluna e umas estantes em vidro, que nunca chegaram a ser colocadas. Então, a partir daí, afinal, já estava tudo bem!
Que é que eles achavam? Que eu não ia montar a loja? Ficava a pagar renda, luz e água por tempo indeterminado? E sem ter a certeza que o projecto era aprovado? Eu candidatei-me a um projecto de criação do próprio emprego para ganhar dinheiro, não para gastar um dinheiro que nem tinha!
Por fim, ele disse-me que na semana seguinte iria receber um contrato para ir ao notário e que em princípio dentro de três semanas teria o valor a que tenho direito, na mão.
Finalmente recebi o contrato. No dia seguinte dirigi-me ao notário e coloquei tudo em ordem. Logo de seguida fui ao Centro de Emprego entregar os documentos. Pois bem, ainda me pediram uma quantidade de documentos, que para ser franco não me deixou surpreso. A saga continua.
A 17 de Julho de 2006, tive que me dirigir às finanças, novamente, porque me exigiram uma declaração comprovativa de que não existia qualquer tipo de débito de minha parte para com as finanças.
Exigiram-me também um extracto da segurança social de forma a comprovar todos os meus pagamentos.
Também me pediram os balancetes desde Julho de 2005 até Maio de 2006(?), supostamente eu nem sequer tinha iniciado a actividade mas tudo bem!
A 20 de Julho de 2006 ainda estava em “stand-by” porque queriam que entregasse todas as facturas relativas às obras e respectivos recibos!
Só faltava mesmo pedirem-me o boletim de vacinas e a cédula militar! Bolas!
Finalmente encontrei, no Centro Emprego, alguém competente. Tratou-me de um quadro final que é por norma feito pelo/a contabilista que constrói o projecto e adiantou-me três processos finais de uma vez, que supostamente me fariam perder ainda muito mais tempo.
Outras coisas mais tive que tratar que não tenho mais paciência para relatar.
28 de Julho de 2006!! Finalmente ficou tudo entregue. Marcaram a última visita ao meu estabelecimento para o dia 31 de Julho de 2006 e disseram-me que em princípio, após verificação dos materiais que iam subsidiar, fariam a transferência do valor no próprio dia ou no máximo no dia seguinte. Será desta? Espero bem que sim!
Sim, fizeram a visita. Mas tive que entrar em contacto com alguns fornecedores para modificarem as designações dos produtos pois não eram os que realmente tinha na loja.
Após isso passei cerca de duas horas no notário para me reconhecerem três assinaturas, que me custaram 33€! Enfim.!
Por fim, fui ao Centro de Emprego e disseram-me que não faltava mais nada e que entre o dia 1 de Agosto ou o 2 teria o meu apoio financeiro
Fizeram a transferência interbancária, no dia 3 de Agosto de 2006!!!
A 4 de Agosto de 2006 aguardo a chegado do “pilim”!
A 8 de Agosto de 2006 recebi o meu “Money”!!!!!! Finalmente!!! Agora espero poder cozer-me à minha maneira!
Eis este episódio da minha vida. Doloroso, mas teve luz ao fundo do seu túnel!


Coloquei este texto hoje porque está na ordem do dia, há alguns anos o problema do desemprego no nosso país.
Hoje falasse de 20 mil licenciados que estão desempregados há mais de dois anos, contrapondo as "boas" noticias de que no semestre passado a taxa de desemprego tinha baixado. Provavelmente baixou porque os desempregados estão inseridos em formações remuneradas de curto prazo e obviamente os numeros baixam, mas é ilusorio porque quando essas formações acabarem os numeros voltam a subir.

4 comentários:

Mary disse...

Ainda bem que este filme de terror acabou!!!
Parabéns pela persistência!!!
Já dizia o outro: "Quem espera sempre alcança!"
Beijoca

Bernardo Moura disse...

Pois é, finalmente acabou. Obrigado!
Bjs.

js disse...

..Não te preocupes ... que se há coisa que os nossos governantes têm sempre na manga são acções de formação... para o truque da diminuição ilusória dos indicadores de desmprego... só que já começam a haver outro indicadores que referem que os resultados em termos de criação efectiva de emprego resultante das acções de formação estão muito mediocres...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt

Bernardo Moura disse...

Não diria que os resultados das acções de formação estão muito mediocres diria que estão com uma nota ainda mais abaixo. Conheço bastantes pessoas que frequentaram alguns, que nada tinham a ver com as suas areas mas foram e nenhum deles teve saida profissional. Basta ver nos noticiarios que quando uma dessas formações dá acesso a um trabalho é logo NOTICIA.
Enfim, é o pais que para já temos.
Abraço